Superávit acumulado na balança comercial de janeiro a setembro é de US$ 10,2 bilhões Imprimir E-mail
Escrito por Assessoria de Comunicação Social do MDIC | MDIC   
Sex, 02 de Outubro de 2015 08:19

Brasília – A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,944 bilhões em setembro de 2015. O resultado é o melhor para meses de setembro desde 2011, revertendo o déficit de US$ 42 milhões registrado em igual período do ano passado. As exportações somaram US$ 16,148 bilhões e as importações US$ 13,204 bilhões. A corrente de comércio foi de US$ 29,352 bilhões, valor 23,5% abaixo do registrado em setembro de 2014 pela média diária. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa, realizada na sede da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A média diária das exportações em setembro chegou a US$ 769 milhões, 4,3% acima da média verificada em agosto deste ano (US$ 737,4 milhões), resultado do embarque de produtos básicos (US$ 7,163 bilhões), manufaturados (US$ 6,33 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,277 bilhões). Na comparação com setembro de 2014, a média diária das exportações caiu 13,8% (US$ 891,6 milhões).

O diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação (Deaex) da Secex, Herlon Brandão, explica que, apesar do efeito da queda de preços, o Brasil é um dos países com maior crescimento na quantidade exportada. “Houve um aumento do quantum de 7,2%, de janeiro a setembro, o que mostra a força do produto nacional, que, mesmo com a redução de preços, conseguiu ter destaque no comércio exterior”.

Ainda no comparativo com setembro de 2014, a média diária das exportações de produtos básicos caiu 19,6%, especialmente pela queda de minério de ferro (-40,4%), petróleo em bruto (-37,8%), algodão em bruto (-35,2%), fumo em folhas (-31,4%), minério de cobre (-30,3%), farelo de soja (-23,7%), carne suína (-17,7%), carne de frango (-14,5%) e café em grão (-13,7%). Por outro lado, cresceram as vendas de milho em grão (22,8%), soja em grão (11,2%) e carne bovina (3,7%).

As exportações de manufaturados, em média diária, reduziram 4,6% no mês em comparação com setembro de 2014. O desempenho do grupo foi puxado principalmente pela queda nas exportações de açúcar refinado (-33,7%), máquinas para terraplanagem (-28%), medicamentos (-21,9%), tubos flexíveis de ferro e aço (-19,5%), motores e geradores (-18,5%), pneumáticos (-11,7%), bombas e compressores (-11,1%), motores para veículos e partes (-10,6%), automóveis de passageiros (-7,5%), polímeros plásticos (-6,2%) e autopeças (-4,4%). Por outro lado, aumentaram as vendas de plataforma de extração de petróleo, tubos de ferro fundido (55,1%), laminados planos (27,3%), óxidos e hidróxidos de alumínio (16,4%), veículos de carga (15,7%) e aviões (8,4%).

No grupo de produtos semimanufaturados, que apresentou queda – em média diária – de 12,2% no comparativo com setembro do ano passado, decresceram as vendas principalmente de açúcar em bruto (-37,9%), couro e peles (-30,8%), semimanufaturados de ferro/aço (-22,2%), ouro em forma semimanufaturada (-17%), ferro-ligas (-13,1%), madeira serrada (-9,9%) e alumínio em bruto (-4%). Por outro lado, aumentaram as vendas de catodos de cobre (98,9%), óleo de soja em bruto (94,7%), celulose (18,8%) e ferro fundido (4,2%).

Importações

Pelo lado das importações, a média diária em setembro de 2015 foi de US$ 628,8 milhões, o que representa uma alta de 3,2% sobre agosto deste ano (US$ 609,3 milhões) e uma queda de 32,7% na comparação com setembro de 2014 (US$ 934,5 milhões). Decresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (-61,9%), bens de capital (-27,4%), matérias-primas e intermediários (-26%) e bens de consumo (-23,4%) Segundo Brandão, houve queda nas importações de itens de todas as categorias de produtos. “O efeito câmbio melhora a rentabilidade em reais das exportações brasileiras, mas também faz diminuir as importações. Além disso, o desaquecimento da economia tem gerado uma menor demanda por bens importados”, esclareceu.

No grupo dos combustíveis e lubrificantes, a retração é resultado da diminuição dos preços de petróleo, naftas, óleos combustíveis, gasolina, gás natural e carvão. Entre os bens de capital, houve queda no desembarque de maquinaria industrial, partes e peças para bens de capital para indústria, equipamento móvel de transporte, acessórios de maquinaria industrial e máquinas e aparelhos de escritório e serviço científico.

No segmento de matérias-primas e intermediários, decresceram as aquisições de produtos minerais, produtos alimentícios, produtos agropecuários não alimentícios, partes e peças de produtos intermediários, produtos químicos e farmacêuticos, acessórios de equipamento de transporte e matérias-primas para agricultura.

As principais quedas nas aquisições de bens de consumo foram observadas nas importações de automóveis de passageiros e partes, bebidas e tabaco, vestuário, produtos de toucador, partes e peças para bens de consumo duráveis, móveis, produtos alimentícios, máquinas e aparelhos de uso doméstico, produtos farmacêuticos e peças de decoração.

Janeiro a Setembro

No acumulado de janeiro a setembro de 2015, as exportações somam US$ 144,495 bilhões e as importações US$ 134,249 bilhões, valores 16,3% e 22,6% menores, respectivamente, que os registrados no mesmo período do ano passado (pela média diária). A corrente de comércio totalizou US$ 278,744 bilhões, uma queda de 19,5% sobre o mesmo período de 2014 (US$ 348,010 bilhões), pela média diária. Entre janeiro e setembro de 2015, a balança comercial acumula um superávit de US$ 10,246 bilhões, revertendo o déficit registrado em igual período de 2014 (US$ - 742 milhões).

Brandão citou a previsão feita pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, de que até ao final deste ano podemos chegar a US$ 15 bilhões de saldo positivo na balança comercial. “O último trimestre do ano é tradicionalmente superavitário e, como disse hoje o ministro Armando Monteiro, acreditamos que o saldo positivo deve se ampliar em função do aumento nas exportações de minério de ferro, aviões e da safra de milho que começa a ser exportada neste período, entre outros fatores”.

Destaques

Um dos destaques no período foi o aumento das exportações de produtos manufaturados para os Estados Unidos. Entre janeiro e setembro, as exportações de industrializados acumulam alta de 4%, com destaque para gasolina (123%), laminados planos de ferro e aço (116,3%), aviões (61,8%), preparações e conservas de carne bovina (47,9%) e partes de motores e turbinas para aviação (17%).

Outro destaque foi a retomada das exportações de carne bovina para a China este ano. “De junho a setembro, já exportamos US$ 222 milhões em carne bovina para a China, valor muito superior aos US$ 300 mil exportados no mesmo período do ano passado. Desde 2012 as exportações para o país diminuíram muito por conta de barreiras que foram retiradas em maio deste ano”, afirmou Herlon.