Petrobras corta 50% do investimento Imprimir E-mail
Escrito por Cristiano Romero | Valor Econômico   
Sex, 02 de Outubro de 2015 08:43

A Petrobras vai realizar apenas US$ 20 bilhões dos US$ 29 bilhões de investimentos programados para este ano. A disparada do dólar e a queda da cotação do barril de petróleo do tipo Brent estão obrigando a

estatal a rever, mais uma vez, os gastos previstos. No início do ano, a previsão era investir cerca de US$ 40 bilhões em 2015.

A estatal trabalhava inicialmente com cotação média do de R$ 3,40. A diferença entre o previsto e a realidade ­ ontem, o dólar comercial fechou cotado a R$ 3,99 ­ obrigou a diretoria a rever uma série de

gastos. O assunto, segundo apurou o Valor, foi discutido, na quarta­feira, na reunião do conselho de

administração.

Os dois principais preços observados pela Petrobras são a cotação do dólar e o preço do barril de petróleo. A queda da cotação de óleo no mercado internacional diminui o custo de refino, mas por outro lado afeta negativamente as receitas de exportação. Já o dólar mais caro encarece as importações e piora o endividamento da empresa, que já é muito elevado.

O plano da diretoria é intensificar o corte de custos, o que inclui reduzir despesas operacionais e investimentos. A empresa está revendo todos os contratos para adaptá­los à nova realidade. A renegociação cria uma série de problemas porque os fornecedores reagem às mudanças nas cláusulas originais dos contratos e à frustração de receitas.

"Contrato não se quebra, temos que cumprir, mas precisamos negociar. O efeito na cadeia produtiva é muito

ruim", diz uma fonte da empresa. Apenas a nova revisão de investimentos previstos para este ano significa uma

frustração de gasto da ordem de R$ 36 bilhões (equivalentes a US$ 9 bilhões).

A diretoria da estatal não precisa de autorização do conselho de administração para cortar despesas e

investimentos. Ela pode realizar ou não o investimento autorizado. Não tem permissão, porém, para aumentar

despesas, desinvestir (desistir de um projeto, como no caso das refinarias premium que seriam construídas no

Ceará e no Maranhão) ou vender ativos sem aprovação prévia.

A situação de caixa da Petrobras neste momento é considerada confortável. A empresa possui US$ 29 bilhões em caixa e deve terminar o ano com US$ 20 bilhões.

Embora tenha decidido suspender a venda de um de seus principais ativos ­ a BR Distribuidora ­, a diretoria não

cruzou os braços. A ideia é conversar com potenciais sócios estratégicos em torno da venda de uma fatia do capital da BR. Quando o mercado acionário melhorasse, seria feira uma oferta pública. O negócio dependerá da

aprovação do conselho. A negociação direta com um possível sócio permite buscar um "valor justo" para o ativo, considerando os ganhos no longo prazo.