Diageo amplia distribuição e sofistica a cachaça Ypióca Imprimir E-mail
Escrito por Cibelle Bouças | Valor Econômico   
Seg, 05 de Outubro de 2015 08:33

A britânica Diageo, maior fabricante de destilados do mundo e dona da marca Ypióca, vai ampliar a distribuição da sua principal marca de cachaça, como forma de aumentar as vendas em meio a um cenário de retração do

consumo da bebida. A companhia desenvolveu linhas de alto valor agregado, aproveitando a demanda ainda

aquecida por categorias premium.

De acordo com dados da Nielsen, no acumulado de 12 meses até setembro, as vendas de cachaça no país caem

4,5% em volume e crescem 4,5% em receita. As cachaças de alto valor agregado, por sua vez, mostram aumento de 14% em volume e de 21% em receita.

Álvaro Garcia, diretor de marketing da Diageo para a Brasil, Paraguai e Uruguai, disse que as vendas da Diageo de Ypióca estão estáveis neste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

A Ypióca é a terceira maior marca de cachaça do país, com 10% do mercado, segundo a Nielsen. A marca líder é a 51, da Cia. Müller de Bebidas, seguida pela Velho Barreiro, da Indústria Reunidas de Bebidas Tatuzinho ­ 3

Fazendas.

No ano fiscal concluído em junho, as vendas da Diageo na América Latina e Caribe tiveram queda de 10%, para

1,033 bilhão de libras (US$ 1,564 bilhão) O lucro operacional caiu 18%, para 258 milhões de libras (US$ 390,51

milhões).

As vendas na região do Paraguai, Uruguai e Brasil caíram 2% em volume e 12% em receita, influenciadas

principalmente pela desvalorização do real e pela retração do consumo no Brasil, segundo o balanço da empresa.

A meta da companhia é tornar a Ypióca a marca mais vendida do Brasil, em um prazo de cinco a dez anos. "Desde a aquisição em 2012, a Diageo trabalha para expandir a marca. A companhia já aumentou a capacidade de produção, mas ainda tem as vendas muito concentradas no Ceará. A companhia faz um movimento para

expandir a distribuição, começando pelas praças do Rio de Janeiro e de São Paulo", disse Garcia. A distribuição será feita pela equipe da Diageo e por distribuidoras de bebidas.

Garcia disse que a companhia vai aproveitar a rede de distribuição que possui no Centro­Sul do país para entrega da vodca Smirnoff e do uísque Johnnie Walker para ampliar as vendas da Ypióca. No Nordeste, aproveita a rede de distribuidores da cachaça para fazer a entrega das outras bebidas.

Desde 2012, quando adquiriu a Ypióca por US$ 450 milhões, a Diageo aumentou o número de pontos de venda

atendidos de 270 mil para 300 mil estabelecimentos. No último ano, a empresa ampliou a distribuição em 9,5 mil pontos de venda. A produção de Ypióca desde 2012 foi ampliada de 6 milhões de caixas por ano para 8 milhões.

A produção da Ypióca é feita em uma unidade em Paraipaba (CE), e o envase é feito no bairro de Messejana, em

Fortaleza. Essas unidades fabris têm capacidade para produzir 126 milhões de litros por ano de bebidas

destiladas. As unidades também são usadas para produção da vodka Smirnoff.

A Diageo começa a distribuir no varejo neste mês duas linhas de alto valor agregado. Uma versão da Ypióca com mel e limão, com preço sugerido de R$ 18 por garrafa. E uma linha premium, feita de forma artesanal, com preço sugerido de R$ 150 a garrafa.

Além do reforço na produção e na distribuição, a Diageo contratou a AlmapBBDO para desenvolver uma nova

campanha de marketing. "A AlmapBBDO fez um trabalho muito importante com a marca Havaianas [da

Alpargatas] e o nosso objetivo é conseguir o mesmo com a Ypióca, transformar uma marca brasileira antiga,

consolidada em um ícone nacional moderno para exportação", afirmou Garcia.

O mercado de bebidas destiladas movimentou no país 1,08 bilhão de litros em 2014 e gerou uma receita de US$

11,10 bilhões em 2014, de acordo com dados da Euromonitor International. A cachaça, maior categoria do

segmento de destilados, somou 856,1 milhões de litros em vendas no ano passado, com geração de receita de US$ 7,39 bilhões. No período de 2009 a 2014, o mercado de cachaça cresceu, em média, 2,4% em valor, e caiu 2,6% em volume de vendas.