Cepêra expande portfólio e distribuição para crescer 20% Imprimir E-mail
Escrito por Tatiane Bortolozi | Valor Econômico   
Seg, 05 de Outubro de 2015 08:47

A Cepêra, fabricante paulista de alimentos em conserva, expande sua atuação no Rio de Janeiro e em Minas

Gerais ao mesmo tempo em que amplia as linhas de produtos de maior valor agregado para conseguir terminar o ano com crescimento de dois dígitos. O setor sofre com a disparada do dólar e o enfraquecimento do consumo. Por enquanto, apenas as vendas de produtos convencionais, como molho de tomate e de pimenta, avançam em volume.

No primeiro semestre, a linha convencional registrou crescimento de 20% em volume. Já os produtos premium,

como aspargos, alcaparras, azeitonas e cerejas em calda ficaram entre a estabilidade e queda de até 10%.

O posicionamento histórico da marca é como uma alternativa mais barata em relação a líderes de mercado,

praticando preços cerca de 10% mais baixos. Segundo o presidente Décio Filho, a estrutura mais enxuta permite ter custos menores e preços mais competitivos. Ele afirma que os preços menores favorecem a empresa em tempos de crise, pois o consumidor quer economizar diante da incerteza sobre o emprego, a inflação e a perda de renda.

O setor de alimentos em conserva sente o impacto negativo do aumento de custos internos, como água e luz; da alta do dólar sobre os preços de alimentos importados, como azeitona, cebolinha, cereja e ameixa; e embalagens mais caras devido a insumos cotados na divisa americana. A Cepêra realizou dois reajustes, de 8% em fevereiro e de 7% em agosto, mas afirma que os preços foram calculados antes da disparada do dólar para mais de R$ 4. "Provavelmente teremos outra tabela em outubro e, se necessário, outra antes do final do ano", segundo Décio Filho.

Apesar do posicionamento de preço ser importante para manter os volumes, a companhia amplia a linha de

maior valor agregado neste ano. A Cepêra lançou novas embalagens para ketchup, mostarda com mel e molho

barbecue. Na linha de coberturas para sorvete, em que comercializava três sabores (morango, chocolate e

caramelo), sob a marca infantil licenciada Senninha, adicionou sabores mais elaborados, como chocolate com

avelã e banana com canela, voltados ao público adulto.

A Cepêra conclui em 2015 um investimento de R$ 20 milhões, iniciado em 2013, para voltar a disputar mercado

com multinacionais como Heinz e Cargill. O aporte ocorreu principalmente em maquinário, infraestrutura e em

um novo centro de distribuição em Monte Alto, interior de São Paulo, onde está a fábrica da companhia.

"O custo logístico do Brasil é muito alto. É necessário um quilo de preço médio no valor de R$ 7 para um projeto logístico viável e, para isso, é preciso combinar produtos com valor agregado alto e baixo", explica Décio Filho.

Os investimentos em marketing devem se aproximar de R$ 3 milhões em 2015. "A empresa renovou o logotipo, a produção e, para ser mais competitiva, o passo seguinte foi ir para a mídia", segundo o presidente.

A Cepêra prevê investimentos de R$ 10 milhões em 2016 e 2017, acompanhando o ritmo mais lento da economia.

A projeção é encerrar 2015 com avanço de 5% em volume e de 20% em receitas.

A companhia atua em todo o país e São Paulo concentra 50% do total de vendas. Neste ano, a distribuição é

reforçada nos demais Estados do Sudeste, com foco no Rio de Janeiro e Minas Gerais, como saída para manter o crescimento diante da redução do crescimento orgânico.

A exportação responde por 6% a 7% das vendas. O presidente estima alta de 1 ponto percentual até dezembro.

"Começa agora uma tendência de aumento da exportação. Algumas categorias em que o Brasil não tinha preço

para competir começaram a se viabilizar, mas ainda pesam os custos altos."